Texto escrito por Saul Teixeira
Futebol para ter êxito requer tempo, rotina, repetição e insistência. Sendo assim, o trabalho de Hernán Crespo à frente do São Paulo não deixa de ser uma agradável surpresa no cenário nacional. Principalmente pelo desenho que vem sendo adotado inicialmente na mecânica: o 3-5-2.
Daniel Alves voltou a ocupar o setor que nunca deveria ter deixado. Ali se tornou o maior vencedor da história do Planeta Bola e, entre outros, é líder de assistências para Messi no Barcelona. Dani tem condições, ainda, de garantir outra variação fundamental ao modelo: ingressar, por vezes como meia, por dentro. No flanco oposto, Reinaldo com liberdade para fazer o que mais sabe: apoiar!
Com 3 zagueiros, apenas um volante é o bastante. Eis o papel de Luan, grata revelação de Cotia. Além de proteger a defesa, tem capacidade para cobrir as subidas de Léo, lateral-esquerdo na origem. Aliás, outro acerto: zagueiro que tenha qualidade na saída e na transição. Miranda é uma extraordinária alternativa ao setor, sobretudo como “líbero”.
A robustez defensiva, que varia para 5 zagueiros sem a bola, permite a liberdade para os outros 2 atletas de meio. Normalmente um segundo homem e um meia-atacante. Liziero e Benitez foram os escolhidos na estreia da Libertadores com direito a 3 a 0 fora de casa contra o Sporting Cristal. O elenco conta, ainda, com opções como Hernanes, Igor Gomes, William e Vitor Bueno. Se quiser variar para o 3-4-3, Gabriel Sara surge como ficha 1 para ampliar o repertório.
Até pela formação do elenco, Crespo aposta em 2 atacantes móveis. A diretriz aumenta a imprevisibilidade do ataque pela movimentação da dupla que também cria terreno para os ingressos dos alas e dos meias. Chega do atacante “morrer de fome” como normalmente ocorre no 4-2-3-1 e no 4-1-4-1, por exemplo. O ítalo-brasileiro Éder disputa vaga entre os 11 com Pablo e Luciano.
Embora a equipe ainda precise de mais testes de fogo para sabermos o real estágio do trabalho até aqui, Crespo tem dado aula de como executar o sistema. Aqui no Brasil, a maioria dos grandes clubes já adotou o 3-5-2 na sua história recente, mas na prática… 2 marcadores no meio, laterais frágeis no apoio e ataque marcado pela lentidão.
Crespo, por enquanto, tem sido uma louvável exceção que confirma a regra. Tal qual foram o Grêmio de Tite e o Atlético-PR de Geninho, que além dos títulos nacionais de 2001, serviram de inspiração tática para o Penta liderado por Felipão no ano seguinte.
São Paulo, 3-5-2 bem executado, ex-jogador na casamata do Morumbi… Acho que já vimos esse filme, né??? Atual “chefe” de Crespo, Muricy Ramalho é a maior inspiração a ser seguida. Quem sabe o raio dos 3 zagueiros não cai duas vezes no mesmo lugar??? É esperar para ver! Por enquanto, os primeiros passos estão sendo muito bem dados…
** A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Resenha da Torcida