ONDE ESTÁ O CAMISA 9? POR QUE PERDEMOS A CAPACIDADE DE FAZER CENTROAVANTES

Texto escrito por Felipe Accacio

O futebol mudou taticamente, isso ninguém pode negar, se olharmos pro passado não muito distante do nosso principal campeonato, veremos vários times usando uma pequena variação tática e que na maioria das vezes tinha como base um sistema único, que se repetia tanto na formação em campo, quanto na troca de jogadores dentro de suas funções.

Gosto de colocar como um ponto de mudança, duas marcas na história, que na minha opinião são muito significativas, o Barcelona de Pep Guardiola lá fora e o São Paulo de Muricy Ramalho aqui no Brasil.

O tricolor paulista, nos tempos mais áureos quando comandado por Muricy, tinha o costume de trabalhar com 3 zagueiros na sua formação, o que poderia deixar o time menos ofensivo se visto só por esse ângulo, no entanto, ao analisar a escalação completa veremos nas laterais dois meias que usavam a beirada de campo para criação de jogadas, o que deixava o time ofensivo e ao mesmo tempo tinha uma zaga protegida por uma dupla de volante e pelos 3 defensores.

Já o time espanhol, mudou a forma de olharmos o futebol taticamente quando Guardiola colocou um time de muita eficiência no toque de bola e que tinha jogadores rápidos nas transições de campo, o trio Iniesta, Xavi e Messi eram primordiais pro sucesso do time, eram por eles que passam a maior parte das jogadas.

Logo, caiu na moda atuar dessa maneira, e muitos clubes aqui do brasil optaram por tentar o mesmo esquema tático, e óbvio sem sucesso, o toque de bola rápido e um futebol em que até o goleiro participa tocando bola até foi possível de ser feito, no entanto, faltava na maioria dos clubes o talento individual, a insistência nessa forma de jogar matou nosso camisa 9.

Desde então, já vi clube usando um falso 9, já vi jogar sem o centroavante, e assim, a posição vai perdendo cada vez a mais força nos esquemas usados por clubes e também por nossa seleção.

Ricardo Oliveira, Fred e Jô; três exemplos de jogadores que sempre foram muito disputados no mercado da bola, mas que hoje já em fim de carreira e com uma posição tática pouco aproveitada, são deixados em segundo plano, podemos dizer, que são os últimos moicanos na verdadeira camisa 9.

Hoje o atacante não pode ser fixo, tem que se movimentar, é o que faz Gabigol, Firmino, Ricarlyson, esses nada tem a ver com o futebol de Ronaldo, Romário, homens de área que pouco se movimentavam, que não voltam pra marcar, que não tinham a obrigação da velocidade e que na verdade tinham o faro do gol.

Na atual seleção brasileira, o cara que mais faz gol é o Neymar, que é um jogador que desde muito novo jogou pelas beiradas.

Não estamos e não iremos mais produzir camisa 9, só nos cabe lembrar com orgulho de vários que por aqui estiveram, principalmente no futebol dos anos 80 e 90, hoje a gente obriga o menino formado na base a ter velocidade, o toque de bola, a inteligência, mas acho que esquecemos que o vale no final é bola de rede, e isso um camisa 9 sempre soube fazer.

** A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Resenha da Torcida

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