Texto escrito por Gustavo Xavier
A próxima aventura turca seria na Copa das Confederações de 2003 na França. Como os franceses eram o país sede e os atuais campões da Euro (2000), a Seleção Turca jogaria a competição. Mas antes disso, ainda em 2002, outro gigante turco começava a representar muito bem o seu país local no cenário europeu, o Besiktas Jimnastik Kulübü, time de Istambul fundado em 1903.
A temporada 2002/2003 do time turco dirigido pelo técnico romeno Mircea Lucescu (o mesmo que era do Galatasaray anteriormente) foi bastante notável e merece o seu destaque, além do ano de 2003 ter sido o centenário do Besiktas. O clube de Istambul que contava com o lendário goleiro colombiano Óscar Córdoba (Tri campeão da Libertadores da América jogando por Atlético Nacional da Colômbia e Boca Júniors da Argentina, campeão da Taça Intercontinental com o Boca e da Copa América em 2001 com o seu país), os defensores brasileiros Antonio Carlos Zago (que jogou nos quatro grandes de São Paulo, além de marcar época na Roma da Itália e Seleção Brasileira) e Ronaldo Guiaro (que esteve com a Seleção Brasileira nas Olimpíadas de Atlanta em 1996), o turco İbrahim Üzülmez, os meio campistas turcos, Tümer Metin e Tayfur Havutçu, o italiano Federico Giunti (que defendeu o Milan e foi campeão da UEFA Cup pelo Parma da Itália) e o brasileiro Amaral (O Amaralzinho, pentacampeão brasileiro que teve uma breve passagem pelo clube turco), além do atacante Ilhan Mansiz (que foi decisivo pela Seleção da Turquia em 2002).
O Besiktas chegou até as Quartas de Final daquela edição da UEFA Cup, deixando pelo caminho FK Sarajevo da Bósnia e Herzegovina, Alavés da Espanha (vice-campeão da competição em 2000/2001), Dinamo de Kiev da Ucrânia e Slavia Praga da República Tcheca. A equipe acabou sucumbindo diante do forte elenco da Lazio da Itália que contava com os italianos Angelo Peruzzi, Enrico Chiesa (Pai do Federico Chiesa da Juventus) e Simone Inzaghi (atual técnico do clube e irmão do Pippo Inzaghi), o português Fernando Couto, o holandês Jaap Stam, os sérvios Sinisa Mihajlovic e Dejan Stankovic, além dos argentinos Diego Simeone e Claudio López.
Além da participação respeitável do clube turco na competição europeia, a equipe também foi campeã do campeonato local naquela temporada, com apenas uma derrota e deixando o arquirrival Galatasaray com o vice.
Agora sim partindo pra Copa das Confederações de 2003, a Turquia foi pra disputa da competição – ainda com o técnico Senol Günes – com um elenco que tinha algumas peças do Mundial de 2002 e outras que começariam a se consolidar futuramente. Nomes como o de Rüstü, Alpay, Bülent e Ergün Penbe traziam experiência desde as Euro 96 e 2000, passando por Bastürk e Nihat (que vivia seu auge jogando demais no elenco muito qualificado da Real Sociedad do País Basco) que já estavam consolidados, até jogadores que atuariam em sua primeira competição pela seleção, como Üzülmez (que esteve na ótima temporada do Besiktas), Servet Çetin, Gökdeniz Karadeniz e Tuncay Sanli, que teriam vida longa na seleção.
O grupo da Turquia contava com o Brasil (outro duelo), Camarões e os Estados Unidos. A estreia foi diante dos estadunidenses, que contavam com Tim Howard, DaMarcus Beasley e Landon Donovan (eleito o melhor jogador jovem da Copa de 2002). Os turcos saíram atrás do marcador, mas empataram rapidamente com Okan Yilmaz e viraram com Tuncay Sanly, 2×1.
O jogo seguinte foi contra a ótima geração de Camarões que contava com o craque Samuel Eto’o, Njitap Geremi e Marc-Vivien Foé, que infelizmente faleceu em campo durante a competição (na Semifinal diante da Colombia), vítima de infarto. A partida terminou com o placar de 1×0 para os camaroneses, com gol de Geremi.
Na última partida da fase de grupos, um novo confronto entre Turquia e Brasil. A Seleção Brasileira que vinha com uma seleção mais alternativa, porém tinha nomes importantes como Dida, Lúcio, Juan, Émerson, Ricardinho (que futuramente jogaria no Besiktas), Alex – que nas temporadas seguintes rumaria para o Fenerbahçe se tornando um dos melhores jogadores da história do clube, se não o melhor – Ronaldinho e Adriano (que começava a se destacar bastante com a camisa amarelinha).
O Brasil inaugurou o placar com Adriano. Já no segundo tempo Karadeniz empatou para os turcos e Yilmaz virou perto do final do jogo. Quando parecia
que enfim os turcos venceriam a seleção canarinho, Alex, que entrou no lugar de Ricardinho, marcou no apagar das luzes (quis o destino), empatando o jogo em 2×2, o placar final. Antes do apito final Ronaldinho ainda foi expulso, após confusão com o goleiro Rüstü (ambos seriam companheiros de Barcelona depois). O grupo acabou com Camarões, de forma surpreendente, na primeira colocação com 7 pontos, seguido pela Turquia com 4 pontos. O Brasil ficou pelo caminho, a derrota para Camarões (novamente algozes assim como nas Olimpíadas de Sidney em 2000) com gol de Eto’o na primeira rodada custou caro.
Na Semifinal daquela edição a Seleção Turca enfrentaria os anfitriões, assim como enfrentou Japão e Coréia em 2002. A França contava com uma seleção alternativa, porém bastante forte. Marcel Desailly, Lilian Thuram e Thierry Henry estavam lá.
Os franceses saíram na frente com gols da ótima dupla do Arsenal, Henry e Pirès. Karadeniz chegou a descontar ainda no primeiro tempo, porém logo na sequência Wiltord, outro do Arsenal, fez mais um para a França. No começo do segundo tempo Tuncay Sanli até marcou, mas o resultado final permaneceu em 3×2. A França partiria para a final diante de Camarões enquanto os turcos jogariam contra a Colômbia, em jogo válido pelo terceiro lugar.
Novamente a Turquia jogaria pelo seu orgulho na competição. Os colombianos contavam com um velho conhecido dos turcos, Óscar Córdoba do Besiktas, além de Iván Córdoba e Víctor Aristizábal (aquele mesmo que jogou no São Paulo, Santos, Cruzeiro, entre outros).
A Seleção Turca rapidamente saiu na frente do placar com gol de Tuncay Sanli. Giovanni Hernández, já no segundo tempo, empatou a partida para a Colômbia e no final da partida, Yilmaz cravou o terceiro lugar para a Turquia ao marcar o segundo gol da sua seleção. Assim como em 2002, a Turquia voltaria para casa com o orgulho estampado no rosto. Já a França, faturava outro título em solo francês, como foi na Copa de 1998 sob seus domínios. A final diante da Seleção Camaronesa foi marcada por muita comoção e homenagens a Foé.
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