Os turcos, de modo geral, voltariam a surpreender o mundo um pouco mais a frente, em 2002, na Ásia.
Após se classificarem para a repescagem com a segunda colocação, num grupo que contava com a Suécia, que passou direto em primeiro, os turcos tiveram que enfrentar a Áustria para conquistar sua vaga no Mundial da Ásia. Com duas vitórias diante dos austríacos a vaga estava assegurada.
Para o elenco de 2002 com o técnico Senol Günes (atualmente na Seleção), a Seleção Turca contava com nomes como o goleiro Rüstü, os defensores Alpay, Emre Asik (que jogou nos três gigantes: Fenerbahçe, Besiktas e Galatasaray) e Büllent, os meio campistas Okan Buruk, Tugay, Davala, Emre Belözoglu e Yıldıray Bastürk (o talentoso turco que antes da Copa havia sido vice- campeão de todas as competições que disputou com o seu time da época, o Bayer Leverkusen da Alemanha. O campeonato alemão, a copa da Alemanha e a UCL vencida pelo Real Madrid), além dos avançados, Arif Erdem, Hasan Sas, Hakan Sükür (que já trabalhou até de Uber nos dias de hoje), Ilhan Mansiz (aquele mesmo que aplicou uma linda carretilha/lambreta pra cima do Roberto Carlos) e Nihat Kahveci (que disputava a sua primeira competição importante com a seleção e seria peça extremamente importante e decisiva futuramente).
A estreia da Turquia na Copa do Mundo foi justamente contra o Brasil, um jogo que já mostrava que a Seleção Turca não seria um adversário qualquer. Os turcos até chegaram a sair na frente com gol do habilidoso Hasan Sas, porém o peso da camisa brasileira fez a diferença e a seleção virou com gols de Ronaldo e Rivaldo, certamente os dois melhores daquele Mundial.
No segundo jogo os turcos quase garantiram a sua primeira vitória com gol do promissor e problemático, Emre Belözoglu, porém a Costa Rica empatou no final da partida. A vaga para a próxima fase estava numa situação delicada.
Na última rodada a Turquia entraria pressionada diante de uma China, que terminaria a Copa sem pontuar. Rapidamente os turcos marcaram com Sas e Büllent, já no final da partida, Davala decretou a vaga histórica da sua seleção para a próxima fase. O trio que decidiu a partida derradeira foi justamente o que estava presente no título europeu do Gala em 2000. Assim, os turcos terminavam a fase de grupos com a segunda colocação e 4 pontos somados. O jogo das Oitavas de Final reservava um confronto bastante interessante.
A Turquia tinha duelo marcado contra um dos donos da casa, o Japão, em solo nipônico. Os Samurais Azuis contavam com uma geração muito talentosa, que possuía em seu elenco nomes como Shinji Ono, Junichi Inamoto (que chegou a jogar no Galatasaray), Hidetoshi Nakata (um dos melhores asiáticos da história), o brasileiro naturalizado japonês Alex Santos (Alessandro dos Santos) e muitos outros jogadores talentosos. O confronto seria decidido com gol de Davala, que novamente decretava a classificação para a continuidade do sonho turco.
Em duelo válido pelas Quartas de Final, viria a Seleção de Senegal, a sensação da Copa. Liderados pelo talentoso Diouf, os senegaleses haviam derrotado os atuais campeões na estreia, a França de Zidane (que chegou na Copa em fase final de recuperação) e Henry (vice do Gala na UEFA Cup em 2000). Além disso, passaram em segundo em um grupo complicado que também tinha Dinamarca, que passou em primeiro, e Uruguai. Nas Oitavas deixaram pelo caminho a Suécia.
O embate histórico entre Senegal e Turquia foi decidido pelo banco de reservas e com direito a gol de ouro, a famosa morte súbita. Ilhan Mansiz foi o autor do golpe de misericórdia. O sonho estava mais vivo ainda e a próxima parada seria contra o Brasil novamente.
O jogo válido pela Semifinal da Copa de 2002 foi muito emblemático, os turcos viriam com tudo para tentar se vingar e os brasileiros tinham a história e peso da camisa em jogo, apesar da ausência de Ronaldinho Gaúcho, que cumpria suspensão após o cartão vermelho contra a Inglaterra na fase anterior.
A missão não era das mais fáceis, no entanto, o goleiro Rüstü estava em ótima forma e fazendo grandes defesas. Foi necessário um toquezinho de bico fenomenal por parte de Ronaldo, um gol histórico e responsável por colocar o Brasil novamente na final de uma Copa, seria a terceira final seguida. A Turquia teria que se contentar com a disputa pelo terceiro lugar. Novamente seria um confronto contra os outros anfitriões, a Coréia do Sul, em solo coreano e que contava em seu elenco com nomes como Lee Woon-Jae, Myung-Bo (um dos maiores asiáticos da história, também disputou as Copas de 90, 94 e 98) Lee Young-Pyo e Park Ji-Sung (que foi multicampeão e marcou época no Manchester United da Inglaterra).
Apesar das eliminações, o orgulho turco e coreano estava em jogo. A Coréia que fazia uma Copa incrível, passando em primeiro num grupo que contava com os Estados Unidos (segundo colocado), Polônia e Portugal. Foram 7 pontos conquistados com vitórias pra cima de Polônia e Portugal, além do empate contra os EUA. Invictos, os coreanos bateram a Itália na prorrogação das Oitavas e Espanha nas penalidades das Quartas. Vale ressaltar que foram dois jogos muito polêmicos e controversos (italianos e espanhóis quem o digam). No entanto, outro europeu derrubaria os coreanos, a Alemanha (que perdeu para o Brasil na grande final e ficou com o vice).
A disputa pelo terceiro lugar seria acirrada e começou de forma sensacional para os turcos com um gol de Hakan Sükür nos primeiros segundos de partida (que detém até hoje o recorde de gol mais rápido na história das Copas). A Coréia até esboçou reação, mas os dois gols de Mansiz ainda no primeiro tempo foram um verdadeiro banho de água fria. Os coreanos até descontaram no final da partida, mas ao som do apito final o resultado era de 3×2 para os turcos e a merecida terceira colocação naquele mundial. Histórico!