Texto por Saul Teixeira
Concluída a primeira rodada da Euro 2020/21, nenhuma Seleção praticou um futebol de encher os olhos. As melhores, em desempenho, me pareceram a Itália e a Bélgica. Concordam??? Não apenas pelas vitórias, mas pelo desempenho.
Para o futuro próximo, os treinadores das chamadas favoritas podem e devem lançar mão do banco de reservas para elevar a mecânica e garantir o tão necessário repertório. Afinal, mais do que nunca, futebol é a arte de negar e encontrar espaços. Eis alguns pitacos:
Itália
Sem Verratti, lesionado, o tripé de meio foi composto por Jorginho, Locatelli e Barella. Talento inegável, mas Chiesa pode deixar o setor um pouco mais agudo. Ele, Berardi e Insigne se revezando na função central atrás do centroavante pode dar liga no 4-2-3-1.
Emerson Palmieri na vaga de Spinazolla para dar amplitude ao time na camisa 6. O brasileiro naturalizado é canhoto, e portanto, tende a jogar rente à lateral. O camisa 4 da Roma, porém, é destro e normalmente ingressa pelo meio.
Belotti e Imobile juntos num 4-2-2-2 também é opção! Chiesa, Bernadeschi e Insigne disputariam 2 vagas como pontas armadores.
Inglaterra
Marcus Rashford não deveria ser banco. Ele, Mount, Sancho e Kane compõem o meu quarteto ofensivo. O camisa 10 do United é o que mais tem características para fazer o facão e aproveitar os espaços criados pela movimentação de Kane que normalmente deixa a área para participar da construção ofensiva. Um 3-4-3 também pode ser interessante, com Foden atuando como 2º volante.
França
É a melhor seleção do mundo. Em individualidades, que fique claro! Falta a mão do treinador, aliás, como já faltou no título em 2018. Os retornos de Rabiot e Benzema são as maiores novidades!
Lenglet poderia ser o companheiro de Varane. O jogador do Barça é superior na saída de jogo e nos lançamentos, expediente que deve ser mais bem aproveitado quando se tem Mbappe. Assim como Digne daria maior. contribuição na camisa 6 por ser um lateral que atua por “dentro” e, assim, casaria em características com os velozes pontas do elenco.
Dembélé ou Coman são apostas para deixar o time ainda mais rápido. Assim, Griezmann voltaria a atuar centralizado, como articulador ofensivo. Atualmente, o time de Deschamps é letal na velocidade, mas “pensar” é que nem caldo de galinho. Nunca fez mal a ninguém, né?
Espanha
O elenco é recheado de meias que gostam da aproximação, toques curtos, posse e controle. Quem passa da linha da bola e se oferece para receber??? Quem atua entre as linhas do adversário pra tentar desequilibrar a defesa rival??? Quem arremata de fora da área??? Gerard Moreno ao lado de Morata e Oyarzabal no meio ou na ponta são candidatos a reduzir as mazelas.
Bélgica
Futebol não é apenas camiseta. Eis o porquê a seleção de Roberto Martínez é uma das favoritas, principalmente por desempenhar o Futebol Além do Resultado que gera resultado.
O 3-4-3 é a estrutura base, muitas vezes com meias nas alas, o que torna a mecânica ainda mais ofensiva. Lukaku, De Bruyne e Eden Hazard são a “nata” do grupo. Contra a Rússia, apenas o camisa 9 foi titular e já guardou dois. Além de concluir, também constrói, se movimenta e eleva o repertório de ataque.
Hazard atuando mais por dentro, como ponta-de-lança, pode ser uma alternativa interessante, deixando o flanco para o irmão mais novo, Thorgan. Um tal De Bruyne também deve voltar ao time em breve após lesão na face que o retirou de campo na final da Champions.
Portugal
Danilo Pereira e William Carvalho sabem jogar, mas são dois cães de guarda. A presença da dupla se justifica para dar liberdade aos meias e avantes. Todavia, a saída de jogo ficou prejudicada. João Moutinho, Rúben Neves ou Renato Sanchez precisam ganhar vaga entre os 11.
Plano B seria utilizar Bernardo Silva no meio, ao lado de Bruno Fernandes e mais um volante. Assim, abriria vaga para Rafa Silva na camisa 7. André Silva seria aposta no 9, com CR7 aberto. João Félix pode render atrás do centroavante ou como 2º atacante.
Alemanha
É a que possuiu maior potencial de crescimento com base nas opções do banco de reserva. Kimmich precisa voltar ao meio pela saída de jogo vertical. A não ser que Goretzka está à disposição em breve.
Se quiser manter o 3-4-3, é preciso ousar nas alas. Sané à esquerda e Gnabry no lado oposto deixariam o time extremamente agudo. Por dentro, Müller e Havertz revezando entre falso 9 e 10.
Joachim Löw poderia usar o Bayern de Munique como referência no 4-4-1-1. Levandowski é polonês, eu sei! Entretanto, a movimentação de Havertz ou Werner poderiam encaixar com as características de Müller. Volland é opção tradicional como camisa 9 e aposta na profundidade.
Se mantiver os 3 zagueiros, é preciso um jogador talhado para a saída de jogo. Klostermann ou Emre Can além da transição, permitiram a mudança de 3 pra 4 zagueiros num estalar de dedos na beira do campo, fechando como laterais.
** A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Resenha da Torcida