Texto por Saul Teixeira
O gosto pessoal jamais pode superar o que o campo está gritando. Eis a chamada Imparcialidade, um dos principais desafios do jornalismo esportivo.
Torci pelo City de Pep Guardiola por entender que nenhum outro enxerga e prevê como ele, mas futebol não é apenas Ciência. Prova disso, que o pragmatismo de Thomas Tuchel foi coroado com o lugar mais alto do pódio. Estratégia? Linha de 5 defensiva e contragolpe rápido. Simplicidade quase constrangedora, para quem admira o Futebol Além do Resultado, é claro!
Mas ninguém leva a “Orelhuda” pra casa sem merecer, né? Negação de espaços na fase defensiva, tendo em Kanté o melhor volante das galáxias na atualidade, lucidez para a transição e, principalmente, liberdade para os 3 homens da frente: Mount, Werner e Havertz. Todos movediços e a serviço da imprevisibilidade de movimentos.
Por violar o Fair Play financeiro, os londrinos ficaram bom tempo sem contratações faraônicas. Louvada punição!!! A reconstrução ocorreu pela base. Além de Mount, o camisa 9 Tammy Abraham e o ponta Hudson-Odoi – esses opções no banco – estão entre os pratas da casa que valem ouro. Reece James, titular contra o City, também é cria da casa e reequilibrou a mecânica. Antes, o capitão Azpilicueta na ala direita deixava o time burocrático no setor.
Voltando ao meio-campo, Mason Mount é o clássico camisa 10. Pensa, organiza, cadencia. Mas também é o médio atual: faz as vezes de volante, acelera, chega à frente e conclui. Deve ser titular da Inglaterra na Copa do Mundo. Tal qual Kai Havertz, a joia da coroa, para quem o admira desde o 3-4-3 do Leverkusen! Ponta-de-lança, falso 9 ou à direita fazendo o facão. Ao lado de Thomas Müller, deve fazer uma dobrada e tanto ano que vem pela Alemanha.
Falando nisso, o 3-4-3 ou 3-5–2 com variação defensiva para linha de 5 pode ser a tendência tática pelos gramados do Qatar. Nos últimos 4 anos, a maior parte das favoritas já adotou o desenho em algum momento. O Brasil, oficialmente, ainda não! Mas “antenado” como é, Tite deve propor a variação até lá. Apostamos! Éder Militão como “falso camisa 2” por dar liga.
Alemanha e Bélgica estão as seleções que têm no 3-4-3 o ponto de partida das suas ações desde a última Copa, inclusive. O Chelsea de Tuchel é mais uma prova, em escalas globais, de que é possível triunfar ancorado em 3 zagueiros. E mais: definitivamente, o favoritismo não calça chuteiras. Azar dos Guardiolas!
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** A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Resenha da Torcida