O BRASIL QUE DESCOBRIU PORTUGAL EM PLENO SÉCULO XXI

Texto escrito por Felipe Acaccio

Nunca olhamos tanto para o futebol português como nos últimos anos, a ida de jogadores para os campos lusos, até é comum, assim como o sucesso e a busca por nacionalidade portuguesa, exemplos como do meia Deco, do atacante Liedson, e do zagueiro Pepe que brilharam com a camisa portuguesa.

Mas a importação de treinadores é novidade desde a Era Jesus no Flamengo.

Jorge Jesus chegou com uma rodagem interessante em times de Portugal e com títulos locais, no entanto, era óbvio que era uma aposta a contratação dele pelo Flamengo, contratação essa que eu não apoiei, e jurava que esse casamento duraria poucos meses, como é comum aqui no país. Tive que dar o braço a torcer, Jesus na minha opinião é um bom treinador e mais nada, no entanto, é impossível não reconhecer o trabalho fantástico que ele fez, achando um esquema tático e tirando do elenco o que mais eles pudessem entregar, fez uma temporada quase perfeita, deixando apenas o mundial de fora.

Pena que ele abandonou o barco, no momento em que o futebol do Flamengo não ia tão bem, e que o mundo deixava o futebol de lado para olhar a saúde, a pandemia assustou Jorge Jesus que quis estar perto dos seus familiares, de volta a terrinha, assumiu o Benfica, onde é hoje totalmente contestado, é por isso que o Futebol é fantástico, aqui idolatrado, e lá não conseguiu nem passar para a fase de grupo da Liga dos Campeões.

Abel Ferreira, por sua vez, começou a ganhar espaço ao eliminar o próprio Jorge Jesus a frente do PAOK da Grécia, e venho parar no milionário Palmeiras, que não quis seguir com o projeto do “profexô” e apostou também em um português, esse mais novo que Jesus, e ainda mais .desconhecido da torcida, como jogador, foi um lateral mediano e que fez a carreira no Sporting, trouxe de quando atuava, a questão psicológica, e hoje sua principal característica é a de motivar o grupo, acertou o que Luxa errou e deu sua cara ao time, resultado, vários títulos na temporada, foi impecável na Libertadores, mas não espantou o fantasma do mundial.

Ao que se deve o sucesso dos “portugas” aqui no Brasil?

Jesualdo não foi bem no Santos, um treinador que já estava sem clube fazia tempo e que tinha o papel de comentarista, também foi assim com Ricardo Sá Pinto, que não se acertou no Vasco, ou seja, não dá pra dizer que basta nascer em Portugal para fazer sucesso treinando no Brasil, acho que mais do que a nacionalidade, o que conta é a vontade de fazer diferente, de tentar um esquema tático mais ousado, de entender a função de cada jogador do elenco e o que ele pode entregar, de se adaptar a cada adversário entendendo a importância de cada jogo, não existe fórmula, mas arriscar pode ser uma chave pro sucesso.

Abel e Jesus foram corajosos, Crespo parece que também vai ser, agora que está à frente de um São Paulo que precisa ser reestruturado. Alguns dos nossos treinadores, perderam a mão, cansaram, Luxa já não tem o pique e a coragem de antes, muitos esquecem que ele já era um inovador, foi do brasileiro que partiu a ideia de tirar Sergio Ramos da lateral e colocar na zaga, e parece que deu certo, hoje o espanhol é um dos maiores zagueiros do mundo.

Em quanto o vento estiver a favor, os barcos portugueses vão velejar por mares brasileiros no futebol, e a nós, resta apenas aplaudir.

** A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Resenha da Torcida

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