O MITO DA SELEÇÃO BRASILEIRA DE 2006

Texto escrito por Sérgio Gentil

Mitos são histórias fantasiosas contadas de geração para geração, sempre com o intuito de explicar a origem de algo, transmitir uma lição ou um conhecimento. Os mitos retratam distorções da realidade.

As redes sociais, (mais precisamente o Instagram), voltadas para o futebol criaram uma narrativa onde a seleção brasileira de 2006 seria o último grande selecionado da história desse país. A última vez em que o time pentacampeão do mundo apresentou um futebol de encantar o planeta. Esse discurso trata-se de uma grande distorção da realidade.

A seleção brasileira que disputou a copa do mundo da Alemanha em 2006 não passou de uma grande decepção. Um amontoado de grandes jogadores (muitos deles vivendo o início de seus declínios técnicos e/ou físicos) extremamente mal treinados que tiveram uma participação medíocre no torneio mundial. E o que dizer do atual discurso, sempre presente nos comentários das postagens sobre 2006: “esses atletas sim, honravam a camisa”, mal sabem, se mais jovens, ou não se lembram, se mais velhos, o descaso com o condicionamento físico por parte de muitos jogadores e as festas em plena preparação pro mundial.

A “cereja do bolo” desse devaneio contado sobre 2006 é o tão aclamado quadrado mágico. Formado por Kaká (que ainda viveria o seu auge na carreira), Ronaldinho Gaúcho (optando por não mais competir em alto nível), Adriano (iniciando um drama pessoal que culminou no fim precoce de sua carreira) e Ronaldo (sem condições físicas de exercer na plenitude todo o seu talento). A formação ideal que nunca funcionou. E lembrar que a maior vitória desse grupo – a final da copa das confederações de 2005 contra a Argentina – foi com Robinho no lugar de Ronaldo e sem os laterais Cafu e Roberto Carlos, longe de seus auges, que deram seus lugares para Cicinho e Gilberto naquele torneio.

Enxergo a geração de 2006 como um marco para o futebol brasileiro. Foi a partir daí que o nosso futebol parou de ter meia dúzia de atletas fora de série em campo e necessitando de excelência no trabalho técnico e na preparação nos distanciamos absurdamente de conquistas importantes. Por fim o que resta é essa nostalgia cega que exalta um passado que nem foi tão bom assim e nos tira do foco principal: admitir nossa incapacidade de produzir grandes treinadores e de administrar de maneira profissional nossos clubes, pois só assim voltaremos a vencer e talvez encantar o mundo.

** A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Resenha da Torcida

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